Sobre concurseiros.

Concurseiro

Inquietação constante a minha na discussão sobre termo e conceito e a importância de distingui-los, principalmente ao se levar em conta resultados e comportamentos.

Trabalho como “ajudador de pessoas”, termo cunhado por mim há cerca de trinta anos e ao qual tenho sido fiel todo este tempo, e a cada dia compreendo mais que todos nós temos recursos nas mais diversas esferas para obtermos os resultados que desejamos, bastando para isto que estes recursos sejam despertados, posto que muitas vezes eles encontram-se adormecidos, escondidos atrás das nossas crenças ou pura e simplesmente confundidos de forma conceitual e inconsciente em termos que absorvemos errônea ou limitadamente, e é aí que entro, como ajudador mostro para as pessoas que estes recursos estão lá, doidos para serem disponibilizados.

A princípio pode parecer bobagem, apenas um detalhe, distinguir termo e conceito. Ocorre que nosso cérebro é de longe o mais literal registrador de termos e suas compreensões conceituais. Sim, o poder da linguagem metafórica é absurdo para nossa existência, explicam ou dão origem a uma quantidade absurda de eventos da nossa história e existência.

Então, quando alguém diz “estou me sentindo uma baleia”, a totalidade de nós compreenderá que esta pessoa está se achando gorda. Pois é, ocorre que antes de chegar à compreensão da metáfora, e isto se dá em frações de segundos, o cérebro humano “constrói” ou vê uma baleia e usa isto como referência. Desta forma fica fácil entender a gama de riscos na intrincada confusão entre termo e conceito, metáfora e literalidade, e o quanto limitante isto pode ser: “meu tico e teco”, “sou uma besta”, “morro de vergonha”, “não dá pro meu bico” e outras trilhões de metáforas trazidas a alguma literalidade pelo cérebro.

Há muitos anos li uma pesquisa feita por Universidade brasileira séria em que os caras constatavam que os aprovados em concurso vestibular eram os alunos que se percebiam cursando a faculdade ou exercendo a profissão, e por outro lado os reprovados eram os candidatos que se percebiam fazendo as provas. Os pesquisadores, à época, concluíram que o limite dado ao cérebro era o que ele buscava atingir. Simples e extremamente funcional. Conclui-se com isto que para atingir seus objetivos é essencial que você os imagine atingidos. Ouvi recentemente de uma treinanda: “você já percebeu que para dormir você tem que fingir que está dormindo?”

Chegamos então ao título do artigo. Já observaram que o sufixo “eiro” é profundamente traiçoeiro? Metaforicamente, sutil como elefante rosa caindo do décimo sexto andar sobre uma carroça. O safado do sufixo “eiro” impregna o cérebro de coisas definitivas: pedreiro, bananeira, fogueira, maleiro, torneira, formigueiro e “ene versus ene” “eiros” por diante. Quem imagina-se ”CONCURSEIRO” o será por tempo indeterminado, assim que é, enquanto o cérebro puder manter isto como realidade.

Por outro lado, e a nossa sorte é que sempre há milhões de “outros lados”, o sufixo “ando” remete o cérebro a algo atual, temporário, provisório. O uso do gerúndio pode ser, e é, extremamente útil neste contexto (não disse que sempre tem coisa boa, até no gerúndio, mesmo que pareça que não?), construindo, plantando, fumegando, guardando, pingando, formigando e por que não, CONCURSANDO?

Quer ter sucesso na sua empreitada? Imagine-se sendo, exercendo a profissão enquanto você está concursando para a mesma. Sucesso!

 

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