positividade toxica

Positividade Tóxica existe?

Atualizado em 12/04/2021
Por Carlos Lima
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Positividade Tóxica existe?

Atualizado em 12/04/2021
Por Carlos Lima

Nunca vi acontecer ou ouvi dizer que, quando uma pessoa vai a um show de humor, escuta algo engraçado ou assiste a um filme descontraído, ela devesse “controlar” sua alegria, sorriso, relaxamento ou bem estar.

Já imaginou que desastre seria sua vida se, ao brincar com seu pet ou observar crianças se divertindo, você pensasse: “não posso achar isto bom, não é correto me sentir bem, tenho que encontrar o lado negativo disto”? Pense em seus momentos de lazer, como ler bons textos, encontrar com amigos (mesmo que por videoconferência), reuniões de família, boas conversas com quem você ama, viagens, conquistas, e pense em você policiando seus pensamentos para que não houvesse satisfação, celebração e bom humor. Sei que, assim como eu, você acharia tudo isto uma grande loucura!

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Acontece que, frequentemente, quando as pessoas se sentem tristes, decepcionadas, desanimadas, desmotivadas, em algum grau de sofrimento, elas ouvem que é importante terem pensamentos positivos. Como se não tivessem o direito de experimentar emoções mais complexas em situações de lutos diversos, como perda de trabalho, reprovação em provas, falta temporária de perspectiva, dificuldades em relacionamentos pessoais e profissionais, isolamento na pandemia ou em caso de doenças específicas e uma série de outros eventos!

Criou-se uma perigosa cultura da positividade que se acentuou muito neste período de pandemia. Observamos, muitas vezes, comportamentos irresponsáveis e inconsequentes, colocando em risco a saúde mental, física e social da própria pessoa e das demais com as quais ela convive. Esta é uma grave consequência da chamada Positividade Tóxica no contexto atual.

“Tudo bem não estar bem.”

As emoções são responsáveis por manter equilíbrio da saúde mental, física e social, o corpo sadio em uma mente sã com altos e baixos, às vezes mais alegre e outras mais triste. Enquanto as chamadas ‘boas emoções’ te levam a celebrar e constatar que tudo está bem, as ditas ‘emoções ruins’ te levam a pensar e aprender sobre o que pode ser melhorado em seus comportamentos e qualidade de vida num essencial equilíbrio entre celebração e aprendizado, resiliência para encarar desafios e, às vezes, algum desconforto, como forma de crescimento e maturidade. Dizer que “tudo está bem” quando na verdade não está, te expõe a um grande risco de ignorar a percepção da realidade e deixar de ter atitudes que possam corrigi-la em seu benefício e em favor das outras pessoas e da sociedade como um todo. Gravíssimo.

Isto quer dizer que você pode, sim, não estar bem. Reconhecer esta condição é o primeiro passo para que você tenha um gerenciamento saudável sobre suas emoções. Fingir que está tudo bem não vai passar de um simples fingimento mesmo, ‘faz de conta’, obsessão em pensar positivamente e uma grande possibilidade de desagradáveis consequências. Escolher pensamentos ditos e tidos positivos como “isto vai passar”, “isto não é nada”, “pense positivo”, “tudo vai ficar bem”, “poderia ser pior”, serão apenas máscaras que, ao serem retiradas, podem ter desdobramentos desastrosos na sua vida. O melhor é admitir com naturalidade que nem tudo está bem e conversar sobre os desconfortos, e em alguns casos até pedir ajuda profissional para lidar com as dificuldades.

Desta forma, é importante a presença do positivo e do negativo em sua existência. Gosto bem da analogia feita com a água, H2O, igualmente ‘positiva e negativa’ em sua formulação química. Essencial para nossa sobrevivência! Como dizem Lulu Santos e Nelson Mota na música “Certas Coisas”, “não existiria som se não houvesse o silêncio. Não haveria luz se não fosse a escuridão. A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim.”

E atenção! A ideia de Positividade Tóxica nada tem a ver com o termo psicologia positiva, cunhado por Martin Seligman, e relatado da seguinte forma neste post do Viva Bem, no UOL:

“É desonesto em relação a quem somos permitir-nos apenas expressões positivas”, diz Baker. “Negar constantemente tudo o que é ‘negativo’ que sentimos em situações difíceis é exaustivo e não nos permite construir resiliência [a capacidade de nos adaptarmos a situações adversas].” 

Otimismo exagerado, irrealismo e positividade tóxica

Claro que algum otimismo em relação à vida é essencial. Do contrário, as pessoas adoeceriam por falta de esperança. Acreditar que as coisas podem dar certo é o início do processo para crescimento e desenvolvimento, atingir objetivos e metas. Ocorre que somente o pensamento positivo é insuficiente, é importante que haja ações que te levem a ter resultados, e a presença de algum pessimismo sobre o que pode não dar certo é muito bem vindo, para evitar repetição de erros e riscos não considerados ou calculados. “Vai dar certo”, “vai funcionar”, são uma boa forma de pensar, estabelecer o que e como fazer, e sempre tendo em mente também o que deve ser evitado, o que pode ser feito caso as coisas não funcionem tão bem. Atitude e prevenção. O ser humano é naturalmente otimista, a grande maioria das nossas memórias remete a situações de realizações, conforto e bem estar, e seria muito arriscado deliberadamente tentar apagar as experiências ruins, pois delas originaram grandes aprendizados para o autodesenvolvimento, crescimento e maturidade. Portanto, não basta pensar, é preciso agir.

O otimismo exagerado, ou seja, a positividade exclusiva e polar (o que temos chamado de positividade tóxica), expõe ao risco de uma vida bem distante da realidade, quase fantasiosa e muitas vezes doentia. Uma vida, bem… irreal.

Existe, nos estudos sobre saúde mental, uma descrição sobre este otimismo desenfreado, conhecido como Síndrome de Poliana. Ela usa como referência a história de uma adolescente com fixação em perceber somente o lado bom das coisas da vida, silenciando sabe-se lá como da memória as experiências negativas, perdendo grandes oportunidades de aprendizados proporcionados por estas experiências, como, por exemplo, fazer diferente com as pessoas do que foi feito com ela. Recomendo este artigo como uma boa descrição sobre esta síndrome.

Concluindo: pense, sim, de forma positiva. E, claro, escute atentamente os pensamentos negativos. Tenha e usufrua suas chamadas ‘boas emoções’ e dê atenção e espaço também às emoções ditas ‘ruins’. Continue otimista e permita que o pessimismo te sirva de alerta!

Carlos Lima, aqui no Blog.

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